O tempo tava tão parado que eu consegui escrever "NEVER ENDING WHITE LIGHTS" no ar com a fumaça do cigarro; E como se não bastasse a fumaça ía se dispersando e eu via Brasílias, Portos Alegres e Curitibas, ao final da dispersão era como se representasse o marasmo da minha cidade interiorana.
Arquiteto em Brasília: Nada mais prosaico nem nas mais inefáveis utopias itaitubenses - o que me frustra. Aqui a inércia é a mesma e o movimento alternadamente variado e as forças centrípetas sentidas por mim no meu curso de pára-quedismo, enfim, é o mesmo vácuo, a mesma morbidez.
Agora os sonhos são gradativamente mais diminutos, e não sei se quero a arquitetura barroca, renascentista, realista, romântica ou parnasiana; aliás odeio bucolismos, suporto apenas prédios, barulhos infernais de trânsito intransitável - o eco lingüístico que me perdoe, e aquecimento global.
Estava apenas esperando melhorar da garganta para poder fumar os últimos tostados e me tornei uma pessoa prolixa agora que o prefeito foi reeleito e nada - ou quase - mudou. A próxima mudança na minha vida vai ser o horário de verão que vêm pra me obrigar mudar meus horários e me desadaptar novamente por mais alguns meses... E voltando ao vício, até a fumaça do tostado é a mesma: é densa, mas sempre se dispersa, e as cidades que eu vi na sua materialização não passam e talvez nuca passarão de desejos distantes.
Agora eu preciso de muito mais êxtase ou fossa para me inspirar, afinal já são 27 dias longe de casa com o mesmo esmalte vermelho sangue dramático nas unhas que deixei crescer pro halloween, e por falar em sangue, ultimamente tenho visto muito isso, é bom porque sangue é vermelho e a ajuda a colorir minha vida, como os Martines que secaram os chocolates que acabaram, o bacon que venceu, o gás que acabou, e eu fiquei insana nesses tantos dias morando sozinha, sem grana e sem limite no banco.
Boemia desmedida. Nada de ombros amigos, contatos físicos como beijos, abraços e amassos. Nada mais.
O que ficou foram as reticências, os afinais e os enfins...

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