segunda-feira, 20 de outubro de 2008


O tempo tava tão parado que eu consegui escrever "NEVER ENDING WHITE LIGHTS" no ar com a fumaça do cigarro; E como se não bastasse a fumaça ía se dispersando e eu via Brasílias, Portos Alegres e Curitibas, ao final da dispersão era como se representasse o marasmo da minha cidade interiorana.
Arquiteto em Brasília: Nada mais prosaico nem nas mais inefáveis utopias itaitubenses - o que me frustra. Aqui a inércia é a mesma e o movimento alternadamente variado e as forças centrípetas sentidas por mim no meu curso de pára-quedismo, enfim, é o mesmo vácuo, a mesma morbidez.
Agora os sonhos são gradativamente mais diminutos, e não sei se quero a arquitetura barroca, renascentista, realista, romântica ou parnasiana; aliás odeio bucolismos, suporto apenas prédios, barulhos infernais de trânsito intransitável - o eco lingüístico que me perdoe, e aquecimento global.
Estava apenas esperando melhorar da garganta para poder fumar os últimos tostados e me tornei uma pessoa prolixa agora que o prefeito foi reeleito e nada - ou quase - mudou. A próxima mudança na minha vida vai ser o horário de verão que vêm pra me obrigar mudar meus horários e me desadaptar novamente por mais alguns meses... E voltando ao vício, até a fumaça do tostado é a mesma: é densa, mas sempre se dispersa, e as cidades que eu vi na sua materialização não passam e talvez nuca passarão de desejos distantes.
Agora eu preciso de muito mais êxtase ou fossa para me inspirar, afinal já são 27 dias longe de casa com o mesmo esmalte vermelho sangue dramático nas unhas que deixei crescer pro halloween, e por falar em sangue, ultimamente tenho visto muito isso, é bom porque sangue é vermelho e a ajuda a colorir minha vida, como os Martines que secaram os chocolates que acabaram, o bacon que venceu, o gás que acabou, e eu fiquei insana nesses tantos dias morando sozinha, sem grana e sem limite no banco.
Boemia desmedida. Nada de ombros amigos, contatos físicos como beijos, abraços e amassos. Nada mais.
O que ficou foram as reticências, os afinais e os enfins...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Estou sozinho

Acordo dezoito anos depois e olho pra todos os acontecimentos vividos por mim.
Aquela TV velha reproduz perfeitamente o que pensei, senti e fiz ontem, já a imagem de antes de ontem não é tão boa quanto a de hoje, futuramente, breve.
Na verdade só dou os abraços apertados, só corto camisetas velhas, digo palavras em vão, através dessa TV velha, que é velha, interessante e que isso não é uma reclamação.

Estou sozinho, a minha memória está em pane, falta poucos minutos pra perder todos os sabores e cheiros das manhãs felizes que passei preso entre as cordas do tapete velho, da sala da minha casa.
A minha casa mudou de cor, não sei a cor anterior, mas vejo o vermelho melancia que combina com os sofás verde, da casca da melancia... Eu gosto das paredes da minha casa, não gosto de melancia, acho vago, incompleto, mas que as frustrações de fim de ano, quando a festa é sua, a festa é nossa e de quem quiser...
Não! a festa é deles que passaram no vestibular e não minha.
A minha festa é debaixo do cobertor ou com aquele amigo fracassado, que nunca saiu do colegial e odeia seus pais. Meu pai anda por aí e ta pouco se fudendo pra mim, minha mãe mora noutra cidade e ficou de mal comigo porque não descongelei a minha geladeira. Na minha geladeira tem carne branca, bacon e queijo, todos congelados e eternos, não cozinho pois detesto cozinhar só pra mim. Estou sozinho, a minha memória está em pane, falta...