quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Sozinho no fim da tarde




Eu sempre quis respostas que nunca existirão.
Eu sempre procuro o perdido, na gaveta da sala.
As vezes fico em dúvida se ouço a minha música no som alto, ou se fico sentindo o tempo passar.
Eu tenho certeza de tudo o que fiz e que aconteceu nessa vida, foi bom, prazeroso e que nada não volta, e se voltar, será apenas algo parecido, sem aquele mesmo sabor e cheiro.
Eu odeio certas músicas, gosto da luz natural da noite.
Sou amigo da chuva de todas horas, inimigo do sol do dia e até da noite se um dia tiver.
Mãos elegantes para uma caneta de cinqüenta centavos. Nenhuma nota de cem reais é tão importante quanto o 'feliz ano novo' e aquele abraço apertado no fim do ano, onde me faz lembrar da infância, de quando morávamos todos juntos, e eu tinha uma outra proteção, além do cobertor que cobria dos pés a cabeça.
Eu vou tirar mil cópias dos filmes bons da locadora, cometer crimes, piratear honras de menininhas que sempre me olham nas ruas do meu bairro. E por trás daqueles óculos de cor café, sabe-se sobre dezoito anos de verdadeiros esforços e glórias.
Daqui pra frente tem que ser bem diferente....
Nada de borboletas longe de mim, serei feito de cola, elas colarão em mim e trará toda a sorte do mundo. Então aprenderei a ganhar dinheiro, a calcular porcentagem, balancear equações e guardar todos os bons perfumes no meu bolso, pra que sempre que precisar eu ter tudo, principalmente o poder de acabar com a guerra no mundo e com os programas de humor que já não me fazem sorrir.
Tomar um banho com Portishead, curar feridas com mercúrio, acertar um gol entre plutão e Saturno. Droga! Plutão não é mais planeta e Jardim do Éden não foi tão perfeito quanto dizem, eu juro que imperfeito, tanto quanto a reputação de mil Marias.
Maria das Graças, das Dores ou Maria Madalena.
Mudarei muita coisa no mundo, mais o pecado fica e a legislação do Brasil também mudará.
Nosso país será monarquia, o verde e amarelo será lilás, e o hino erudito. A tendência não será coroa de ouro, bronze e diamantes, e sim espinhos que não causarão dores e nem cairá sangue, pois sangue será vinho, o mais velho e delicioso de todos.
Quando eu for dono do mundo, os cegos não serão mais aqueles que não querem enxergar e sim os desprovidos de visão, e Deus só dará asas pra quem souber voar...
Acabará o impossível, no meu mundo querer é poder... sorrir é lei, e idosos morrerão crianças.
Então quando os perfumes que guardei no bolso acabar, as ruas e o tempo voltaram ao normal... Terei de rezar todos os dias, procurar Deus e um outro par de sapatos, mudar de apartamento, limpar as unhas e ser a mudança que quero pro mundo. Pois tenho contas e promessas à pagar.
Graças aos céus que o meu pão de todos os dias está na padaria e que o fumo tostado é barato, é... eu sei que fumar faz mal, que a Aids está aqui do lado e que o Aquecimento Global acontece, mas se nada der certo, fico louco e viajo pra França, porque as músicas e a culinária francesa são as melhores, e pra quem precisa iluminar sua vida, na França tem luz.


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